Regulação, Segurança e Qualidade

Sandbox regulatório de cosméticos personalizados: o que muda após a análise da Anvisa

A Anvisa considerou aptos quatro projetos de cosméticos personalizados no sandbox regulatório. Entenda o que foi decidido, o que ainda depende de protocolo e o que muda para empresas e consumidores.

por carloscosmeticosbr 5 min de leitura

A Anvisa avançou na análise do primeiro sandbox regulatório brasileiro voltado a produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes personalizados. Em 5 de agosto de 2026, a Agência considerou aptos quatro projetos para a etapa seguinte, mas ainda não liberou uma operação comercial ampla: cada iniciativa precisa passar pela elaboração e aprovação de um protocolo experimental próprio.

Os projetos selecionados envolvem personalização de perfumes e de bases faciais no ponto de venda. A decisão interessa a marcas, varejistas, empresas de tecnologia e consumidores porque testa como formulação, rastreabilidade, controle de qualidade e cosmetovigilância podem funcionar quando o produto é ajustado no momento da compra.

Primeira página do parecer público da Anvisa com a tabela dos quatro projetos de cosméticos personalizados
Página inicial do parecer público da Anvisa, com a classificação dos quatro projetos habilitados. Fonte: Anvisa.

O que a Anvisa decidiu

A Diretoria Colegiada aprovou os resultados da Análise Detalhada do Projeto-Piloto do Ambiente Regulatório Experimental. Os quatro projetos que já haviam passado pela análise preliminar foram considerados aptos nessa fase e seguiram para a elaboração de protocolos individualizados de flexibilização regulatória experimental.

Na prática, isso não equivale a uma autorização definitiva nem altera automaticamente as regras aplicáveis aos cosméticos no mercado. O sandbox é um ambiente controlado: os requisitos eventualmente flexibilizados, os limites da experiência, os prazos, as medidas de mitigação de risco e o plano de monitoramento precisam ser definidos para cada projeto.

Quais projetos avançaram

ProjetoEmpresaCategoriaPontuação
Perfumaria Personalizada PremiumBotica Comercial Farmacêutica (Grupo Boticário)Perfume personalizado123,7
PerformeIndústria e Comércio de Cosméticos NaturaPerfume personalizado121,8
Color LabBotica Comercial Farmacêutica (Grupo Boticário)Maquiagem personalizada120,5
Par PerfeitoIndústria e Comércio de Cosméticos NaturaMaquiagem personalizada119,8

As notas aparecem no parecer público da Anvisa e refletem critérios como capacidade técnica, inovação do método, maturidade e possibilidade de escala, conformidade regulatória, salvaguardas, gestão de riscos, monitoramento, sustentabilidade e responsabilidade social. A pontuação não é uma avaliação de qualidade de produtos disponíveis ao consumidor; é o resultado da análise dos projetos dentro do edital.

Como funciona o sandbox de cosméticos personalizados

A proposta permite testar, sob supervisão da Anvisa, modelos que não se enquadram integralmente nas regras vigentes sem que a Agência abra mão da segurança sanitária. No projeto de cosméticos personalizados, a formulação, as características ou a apresentação do produto podem ser ajustadas no momento da venda para atender a preferências individuais, como tonalidade de pele ou perfil olfativo.

O ponto central é manter a responsabilidade técnica e legal, a qualidade, a segurança, a eficácia declarada e a rastreabilidade. O parecer descreve, entre outros aspectos, processos de medição, registros digitais, identificação da fórmula e dos componentes usados, além de condições operacionais específicas de cada proposta.

O que muda para empresas e consumidores

Para marcas, varejistas e empresas de tecnologia

A decisão cria uma referência concreta para projetos que combinam varejo, equipamentos, software e produção sob demanda. Também mostra que a inovação regulatória será avaliada junto com controles de risco, capacidade técnica, documentação e monitoramento — não apenas pela novidade da experiência.

As empresas ainda terão de apresentar complementações e esclarecimentos para que a Anvisa elabore os protocolos de flexibilização. O parecer informa que esses protocolos devem estabelecer o escopo da operação, os requisitos temporariamente afastados, as salvaguardas técnico-sanitárias, os planos de monitoramento e de cosmetovigilância e as demais obrigações do período experimental.

Para quem comprar um produto personalizado

A existência do sandbox não significa que qualquer serviço de personalização esteja automaticamente autorizado. O consumidor deve verificar quem é o fabricante ou responsável legal, quais informações acompanham o produto, como a fórmula e o lote são identificados e quais orientações de uso são fornecidas.

Em caso de dúvida sobre a regularização de um cosmético, o leitor pode consultar o guia do CosméticosBR sobre como verificar um produto antes da compra. A checagem não substitui as informações oficiais do estabelecimento ou da Anvisa, mas ajuda a separar uma iniciativa experimental supervisionada de uma promessa comercial sem comprovação.

O que ainda não está definido

A análise detalhada é uma etapa intermediária. Os quatro projetos foram considerados aptos a seguir, mas ainda dependem de protocolos individualizados e de complementações. O próprio parecer registra que, até a aprovação final dos protocolos, os projetos podem ser desclassificados se forem considerados inviáveis ou se expuserem a população a riscos excessivos.

Por isso, é prematuro tratar a decisão como uma mudança permanente na regulamentação ou como autorização para fabricar qualquer cosmético personalizado fora das condições que vierem a ser estabelecidas. O objetivo do sandbox é gerar evidências em ambiente real controlado para orientar decisões regulatórias futuras.

Por que acompanhar esse projeto

Personalização pode aproximar a experiência de compra da necessidade individual, mas também aumenta a complexidade de controle: pequenas mudanças na formulação, na dosagem, no envase ou na identificação exigem procedimentos consistentes. O projeto da Anvisa coloca esses pontos no centro da discussão e pode produzir aprendizados para modelos de negócio que unam cosméticos, dados, equipamentos e atendimento no varejo.

O acompanhamento deve continuar pelas publicações da Agência e pelos protocolos que forem divulgados. Até lá, a notícia mais precisa é esta: quatro projetos avançaram na análise detalhada; a experimentação ainda depende de regras próprias, monitoramento e autorização dentro do sandbox.

Fontes oficiais