Ingredientes e Ativos

Centella asiática em cosméticos: como identificar no rótulo e o que esperar

Entenda como a Centella asiatica aparece no INCI, o que a evidência avalia e por que “cica” não garante o mesmo extrato ou resultado em todos os cosméticos.

por carloscosmeticosbr 6 min de leitura

Resposta curta: a Centella asiatica é uma planta usada em cosméticos principalmente na forma de extratos e derivados com função de condicionamento da pele. No rótulo, ela pode aparecer como Centella Asiatica Extract, Centella Asiatica Leaf Extract, Centella Asiatica Leaf Water ou por componentes como madecassoside e asiaticoside.

Isso não significa que todo produto com “cica” tenha a mesma composição ou que produza um resultado garantido. A evidência clínica disponível envolve preparações e concentrações específicas, enquanto os cosméticos do mercado podem usar matérias-primas diferentes. Por isso, a melhor leitura começa pela lista de ingredientes e termina na proposta real do produto — não no nome da tendência.

Flor de Centella asiatica em close
Flor de Centella asiatica em close. Foto: Kevin Thiele, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O que é Centella asiatica?

A Centella asiatica, também chamada de centela-asiática ou gotu kola, é uma planta da família Apiaceae. Em cosméticos, o ingrediente não é necessariamente a folha fresca: pode ser um extrato da planta inteira, das folhas, das flores e folhas, da água obtida das folhas ou de culturas celulares, entre outras formas listadas na avaliação de segurança do painel independente Cosmetic Ingredient Review.

Os compostos mais associados à planta são os triterpenos asiaticoside, madecassoside, asiatic acid e madecassic acid. A composição varia conforme a parte usada, a origem da matéria-prima, o solvente e o processo de extração. Uma revisão de farmacognosia observa que a quantidade de saponinas pode variar e que a padronização é relevante para comparar estudos e produtos.

Também é importante separar cosmético de medicamento ou suplemento. A monografia da Farmacopeia Brasileira publicada pela Anvisa descreve a folha de centela como droga vegetal e estabelece parâmetros para esse material medicinal. Esse documento não transforma automaticamente um extrato cosmético em tratamento nem permite inferir a concentração de asiaticosídeo de um creme a partir do nome da planta.

Como identificar a Centella asiatica no rótulo

Procure a lista completa de ingredientes, e não apenas a frente da embalagem. Alguns nomes possíveis são:

  • Centella Asiatica Extract: extrato da planta inteira;
  • Centella Asiatica Leaf Extract: extrato das folhas;
  • Centella Asiatica Flower/Leaf/Stem Extract: extrato de flores, folhas e caules;
  • Centella Asiatica Leaf Water: água obtida das folhas;
  • Madecassoside, Asiaticoside, Asiatic Acid e Madecassic Acid: componentes específicos relacionados à planta, que podem ser usados isoladamente ou em misturas.

“Cica” é um termo de comunicação bastante usado para produtos que remetem à Centella, mas não substitui o INCI. Dois produtos com esse nome podem ter extratos diferentes, derivados isolados, concentrações não informadas ou uma combinação com outros ingredientes. A posição na lista ajuda a entender a fórmula, mas não revela sozinha a concentração exata nem a padronização do extrato.

O fabricante pode informar no rótulo ou na página técnica se a matéria-prima é padronizada em determinados triterpenos. Quando essa informação não aparece, não é possível deduzir quanto de madecassoside ou asiaticoside existe apenas olhando o nome “Centella asiatica”.

O que a evidência mostra sobre o uso tópico?

Há estudos cosméticos e dermatológicos, mas eles não avaliam uma única fórmula universal. Uma revisão sistemática publicada no Phytotherapy Research reuniu cinco ensaios clínicos randomizados duplo-cegos, com 172 mulheres asiáticas. Os trabalhos investigaram rugas, hidratação e satisfação, usando géis, cremes ou asiaticoside em regiões específicas e por períodos como 8 ou 12 semanas.

A própria revisão aponta limitações: a padronização da Centella não era uniforme, a qualidade do relato era fraca em parte dos estudos e os resultados não devem ser generalizados para qualquer cosmético. Em termos práticos, a literatura dá suporte para investigar a planta e alguns de seus derivados, mas não para prometer que um sérum com “cica” vai tratar acne, rosácea, cicatrizes ou envelhecimento.

Outro estudo, publicado em 2008, avaliou durante seis meses uma fórmula com 5% de vitamina C estabilizada e 0,1% de madecassoside em pele fotoenvelhecida. Como os dois ativos foram usados juntos, o resultado não permite atribuir todo o efeito à Centella. Esse é um exemplo de por que concentração, combinação e desenho do estudo importam antes de transformar uma alegação em recomendação.

Para uma visão mais ampla dos ativos de condicionamento, veja também os guias do CosméticosBR sobre alantoína, beta-glucana e pantenol.

Centella asiatica é segura para todo mundo?

O painel do Cosmetic Ingredient Review avaliou nove ingredientes derivados de Centella asiatica e concluiu que eram seguros nas práticas e concentrações descritas na avaliação, quando formulados para não serem sensibilizantes. A conclusão é sobre os ingredientes e condições analisadas; não é uma garantia individual para toda pessoa ou para qualquer fórmula.

Extratos vegetais também podem participar de reações de irritação ou sensibilização. Quem tem pele reativa deve observar a composição completa, seguir o modo de uso, evitar aplicar sobre pele lesionada quando o rótulo não indicar o contrário e interromper o uso diante de reação persistente. Sintomas importantes ou recorrentes precisam de avaliação profissional, e não de uma troca sucessiva de cosméticos.

Se a preocupação principal for sensibilidade, compare a fórmula com o guia sobre cosméticos sem fragrância e com as orientações para escolher hidratante facial para pele sensível. A presença de Centella não torna automaticamente o produto suave, assim como a ausência dela não torna uma fórmula inadequada.

Como escolher um cosmético com Centella

  1. Leia o INCI: confirme qual derivado aparece e se a proposta da embalagem combina com a fórmula.
  2. Procure contexto técnico: quando houver padronização, parte da planta, solvente ou concentração declarada, a informação ajuda a comparar produtos.
  3. Observe o conjunto: fragrância, álcool, ácidos, retinoides e outros componentes podem mudar a tolerabilidade da fórmula.
  4. Alinhe expectativa e evidência: “calmante”, “reparador” e “anti-idade” são termos de comunicação; o resultado depende da fórmula, do uso e da pele.
  5. Não confunda com tratamento: queixas como acne persistente, rosácea, feridas ou manchas que preocupam não devem ser tratadas apenas com um cosmético.

Perguntas frequentes

Centella asiatica e cica são a mesma coisa?

“Cica” costuma ser um nome de mercado associado à Centella asiatica, mas não informa qual parte da planta ou qual derivado foi usado. A confirmação deve ser feita na lista de ingredientes.

Madecassoside é igual ao extrato de Centella?

Não. Madecassoside é um componente associado à planta; o extrato pode conter uma mistura de triterpenos e outros constituintes. Uma fórmula com madecassoside isolado não é equivalente a outra com extrato integral.

Centella asiatica trata inflamação, acne ou cicatriz?

Não é adequado fazer essa promessa para um cosmético. Existem estudos sobre diferentes preparações e condições, mas eles não autorizam generalizar o resultado para todos os produtos nem substituir avaliação profissional.

Fontes consultadas

Conteúdo editorial baseado nas fontes listadas e consultado em 22 de outubro de 2026. As informações são gerais e não substituem avaliação de dermatologista ou outro profissional habilitado.