27 de June de 2011 Comportamento

Pigmentação é a principal causa dos brasileiros consultarem dermatologistas e quase 66 milhões têm pele sensível


                    

Um levantamento feito entre 2009 e 2010 identificou as percepções do público leigo com relação à dermatologia e detectou seus hábitos e atitudes frente a várias patologias nessa área da medicina que o cosméticos br publica aqui para informar nossos leitores, profissionais da indústria cosmética, alguns dados obtidos em relação a estas percepções.

Não existiam até então muitos estudos que avaliassem dados epidemiológicos, demográficos ou de hábitos e atitudes da população brasileira com relação aos cuidados com a pele e/ou com relação às doenças dermatológicas.

Foi desenvolvido um levantamento epidemiológico, utilizando método descritivo de pesquisa, com foco quantitativo, e coleta de dados por meio de entrevistas pessoais. O método de amostragem foi o probabilístico, para a coleta de dados foram utilizados questionários padronizados e estruturados, e foram arrolados 1.500 entrevistados em 11 cidades brasileiras das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste.

A amostra foi composta por 55% de entrevistados do gênero feminino, e, em termos de faixa etária, a média foi de 35 anos, com distribuição relativamente equitativa ao longo das faixas etárias. Em geral, o público entrevistado classifica o médico dermatologista como o profissional que trata dos problemas de pele (89%), mas há também quem associe essa especialidade ao cuidado com cabelos e/ou couro cabeludo (10%).

Quanto aos tipos de pele, houve nítida predominância do tipo oleosa no gênero masculino, e no gênero feminino a distribuição foi relativamente equilibrada. Os resultados indicam ser o distúrbio da pigmentação a principal causa isolada para consulta, compreendendo pouco mais de um quarto das consultas (a maioria dos  entrevistados já se havia consultado ao menos uma vez com um dermatologista e, destes, 61% afirmaram ter procurado o especialista por conta própria)

Os resultados indicam ser o distúrbio da pigmentação a principal causa isolada para consulta, compreendendo pouco mais de um quarto das consultas. Outros 40% se dividem entre alergias, micoses e acne – com discreto predomínio das micoses entre o subgrupo masculino e das alergias entre as mulheres.

No sexo masculino, destacam-se infecções superficiais (furunculose), verrugas e cicatrizes.

No sexo feminino, complementam a quase totalidade das consultas estrias/celulite e rugas.

Digno de nota, 80,3% dos entrevistados já havia utilizado algum tipo de tratamento tópico para pele, com nítido predomínio de cremes hidratantes corporais (60,7%), cremes hidratantes para o rosto (42,7%), protetores solares (38,4%) e soluções para limpeza de pele (26,2%).

Apenas 6,6% dos entrevistados declararam já haver utilizado algum tratamento específico para acne, e apenas 13,9%, algum creme antienvelhecimento (anti-aging) para o rosto.

Dentre os produtos para pele avaliados neste estudo, registrou-se uma maior aderência aos cremes hidratantes para corpo e rosto, principalmente entre as mulheres. É possível notar, também, preocupação com a proteção solar em parte dos entrevistados.

Tratamentos bastante difundidos, tais como os cremes antienvelhecimento e o clareamento de pele, mostraram baixa penetração junto ao público pesquisado.

As áreas avaliadas revelaram importantes hiatos e oportunidades em termos de esclarecimento preventivo, diagnóstico e terapêutico, orientando ações por parte da Sociedade Brasileira de Dermatologia, isoladamente ou em conjunção com agentes públicos e da mídia, pois uma população bem esclarecida fica menos sujeita à automedicação, evitando complicações, adversidades e custos desnecessários, daí a importância de conduzir ações que minimizem tais riscos e amparem tais grupos.


Estudo escrito e avaliado pelos médicos dermatologistas Omar Lupi, Samanta Nunes, Antonio Gomes Neto e Claudio Péricles. A pesquisa foi patrocinada pela Theraskin, que também ofereceu patrocínio científico.



Complementando esta pesquisa, um estudo feito pelos Laboratórios Dermatológicos Avène (Pierre Fabre), constatou que há um número significativo de portadores de pele sensível no Brasil.

O estudo foi encomendado e realizado pelo renomado instituto independente CSA Santé, com uma amostra nacional representativa – 1.022 homens e mulheres acima de 20 anos selecionados pelo método de quotas – e revelou que cerca de 34% da população – pouco menos de 66 milhões de brasileiros - possuem pele sensível ou muito sensível. Foram pesquisados um índice de 50,1% de mulheres e 49,9% de homens; sendo 37,96% na região de São Paulo, 14,68% no Rio de Janeiro, 7,93% em Belo Horizonte, 7,83% em Porto Alegre, 8,12% em Curitiba, 7,83% no Recife, 7,83% em Salvador e 7,83% em Goiânia.

As peles sensíveis se definem como a ocorrência de sensação de ardor, calor, formigamento cutâneo (eventualmente com dor ou prurido), como consequência a múltiplos fatores, sejam físicos (radiação ultravioleta, calor, frio, vento), químicos (cosméticos, sabonetes ou sabões, água, poluição), psicológicos (estresse) ou hormonais (ciclos menstruais).
 
As causas patogênicas ou fisiogênicas da pele sensível ainda são pouco entendidas, mas sabe-se que há uma diminuição do limite de tolerância da pele, sem relação direta com nenhum mecanismo imune ou alérgico. Tem sido relatada uma deficiência na barreira cutânea, associado a um aumento da perda de água transepidérmica, o que, como conseqüência, favoreceria a maior exposição a fatores irritantes.

Diversos estudos epidemiológicos realizados no Reino Unido, nos Estados Unidos e na França evidenciaram que a pele sensível é uma síndrome frequente. Esses estudos mostraram que cerca de metade da população é afetada nesses países (aproximadamente 50% de mulheres e 37% de homens) e que a pele sensível e muito sensível é mais frequente no verão do que no inverno. Essa provável relação entre prevalência de pele sensível e exposição ao sol sugere a possibilidade de diferenças entre países com maior ou menor incidência de luz solar.

"Nosso objetivo com a pesquisa é alertar as pessoas que não têm conhecimento do que é pele sensível, ajudá-las a descobrir se possuem ou não a síndrome, e quais os cuidados adequados a serem tomados nesses casos", diz o dermatologista Sérgio Talarico Filho, Coordenador da Unidade de Cosmiatria, Cirurgia e Oncologia do Departamento de Dermatologia da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo, que analisou este estudo.   

                                            

                                                                                * Foto Getty Images

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