12 de March de 2021 Destaque da Home

Dermatologicamente Testados e produtos Antialérgicos - quanto o consumidor pode confiar


Quando um consumidor esbraveja por ter tido alergia após usar um bom produto comprado, a empresa fabricante é responsável ou há chances de aquele ser um caso específico? A especificação “dermatologicamente testado”, escrita em alguns produtos, quer dizer muito. Especialistas do setor apontam para um trabalho sério que busca minimizar ao máximo a chance de um produto causar alergia.

A irritabilidade de alguns tipos de pele sensível é uma discussão antiga em produtos de beleza, em geral as pessoas associam produtos de boas marcas, nacionais ou importadas, à maior garantia de tais produtos serem antialérgicos. O que uma coisa tem a ver com a outra? Em se tratando de sensibilidade dérmica, o produto não depende de preço, que em geral está associado muito mais a tecnologias e ingredientes inovadores, a garantia maior vem dos testes dermatológicos.

Para começar, produtos dermatologicamente testados são aqueles que tem menor possibilidade de causar alergia, irritação ou outro tipo de reação na pele.

“Produtos dermatologicamente testados não quer dizer que eles sejam 100% seguros. Geralmente, quando um produto é dermatologicamente testado quer dizer que existe sim, o máximo de segurança para sua utilização e um mínimo possível de pessoas que o utilizaram apresentaram algum tipo de alergia,” diz a dermatologista Cibele Tamietti, da Clínica Leger e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“A partir do momento que o produto é dermatologicamente testado quer dizer que ele foi testado em várias pessoas e que entre elas, pouquíssimas apresentaram algum tipo de reação,” explica.

Segundo a dermatologista, é difícil se estabelecer uma porcentagem, mas pode-se falar em o mínimo possível, porque alergia depende muito de cada tipo de pele e da forma correta de uso do produto. Aí está um outro componente determinante que depende da atenção do consumidor, que deve sempre ler as instruções de uso. Entretanto, ela ressalta, “quando o produto não é dermatologicamente testado o risco de alergia é muito maior.”

Indicado nas embalagens

Dermocosméticos dermatologicamente testados obrigatoriamente devem vir com essa descrição na embalagem ou com algum selo identificando essa característica.” Um produto “dermatologicamente testado” passou por ensaios de compatibilidade (condições maximizadas) e/ou aceitabilidade cutânea (condições reais de uso). A expressão indica que foram realizados estudos em pessoas voluntárias para confirmar ausência de potenciais reações cutâneas, sob a coordenação de um médico dermatologista,” diz Cristiane Calvo de Santi, gerente de Segurança e Comprovação de Claims da Natura.
 
Ela salienta, os especialistas da marca acompanham a literatura científica acerca de todos os ingredientes utilizados na formulação. “Eles calculam as concentrações seguras de cada ingrediente, de forma que os produtos já nascem seguros antes mesmo dos ensaios de compatibilidade e aceitabilidade cutâneas.”

Ludmila Bonelli, cosmetóloga e CEO da Be Belle aponta: “É fundamental buscar essa informação nos rótulos para adquirir apenas os cosméticos e dermocosméticos que foram submetidos a estes testes. Muitos produtos podem ser formulados com substâncias que não são biocompatíveis com a pele e com isso gerar danos, comprometendo a sua saúde.”


Testes regulamentados pela Anvisa

A realização destes testes obedecem a padrões regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Tudo é feito de modo a garantir a integridade da saúde da pele do consumidor.

“São testes muito interessantes, normalmente realizados em voluntários com a presença de profissionais especializados na área. Estes testes dermatológicos, em geral, passam pelo “Patch Test”, considerado o mais eficaz no diagnóstico de dermatite por contato e assim os produtos são liberados para a comercialização somente depois que apresentam um resultado negativo de reação na pele em pelo menos 95% dos voluntários,” indica Bonelli.

Ela explica que o estudo Patch Test tem um tempo de duração de 6 semanas, em que os voluntários selecionados (fototipo I a IV), utilizam um patch com apósitos semi-oclusivos (fita hipoalergênica com pequenas esferas de papel-filtro que contêm o produto-teste). A fita é substituída a cada 2 dias e a avaliação dermatológica é realizada. As 3 primeiras semanas são chamadas de semanas de Indução. As duas seguintes (4ª e 5ª semana), de semanas de Descanso e a última (6ª semana), de semana de Desafio. Caso o produto-teste seja aprovado ao final da sexta semana, o mesmo poderá ser registrado com o claim de “Dermatologicamente Testado” ( ref. IPCLIN) .


O que os laboratórios garantem

Mesmo que um produto seja hipoalergênico e dermatologicamente testado, não é possível assegurar com 100% de certeza que ele não provocará nenhum tipo de alergia. “Isso acontece porque, independentemente de as formulações serem seguras, cada indivíduo é único e pode apresentar reações específicas a determinadas substâncias,” aponta a gerente de segurança da Natura.

Para consumidores com predisposição alérgica ou demais condições especiais da pele, a recomendação dos especialistas consultados é o acompanhamento de um médico dermatologista ou alergologista. “Em sua rotina de consultório, o médico poderá realizar o teste diagnóstico para elucidar quais ingredientes são os causadores das reações na pele e orientar o consumidor na escolha dos produtos ideais para sua pele,” complementa Cristiane Calvo, da Natura.

Mais importante ainda, aponta Bonelli, “é buscar produtos que sejam Biomiméticos a Pele, ou seja, que a sua pele já produz, ela o reconhece como parte dela e não como um agente externo, tornando sua absorção muito mais eficiente e evitando riscos de alergia, para que sejam ainda mais prevenidas reações indesejáveis na Pele.”

Já existem produtos biomiméticos no mercado nacional e internacional – nossa próxima matéria.

Notícias Relacionadas