15 de March de 2021 Mercados

Setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos Brasileiro fecha 2020 com crescimento de 5,8%


Apesar de um ano cheio de incertezas e crítico enfrentamento da pandemia, a essencialidade dos produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) para a promoção da saúde e do bem-estar da sociedade, alavancou o ritmo de retomada das atividades do setor. De acordo com o Painel de Dados de Mercado da ABIHPEC  - Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o setor de HPPC obteve em 2020, um crescimento de 5,8% em vendas ex-factory, quando comparado com o mesmo período de 2019.

Diversos fatores impulsionaram esse desempenho. Um deles foi a intensificação dos hábitos de higiene para minimizar os riscos de contágio do coronavírus. O álcool em gel foi o destaque da 'Cesta COVID-19 de Consumo', com uma alta de 808%, seguido do lenço de papel (77%); toalha de papel multiuso (33,2%); sabonete líquido (22,3%); sabonete em barra (9,5%); e papel higiênico (12,7%).

"Acreditamos na tendência de continuidade de consumo destes produtos de forma ascendente, uma vez que 2021 ainda é um ano pandêmico, e os itens da cesta COVID-19 são ferramentas necessárias para a manutenção da saúde via o reforço dos hábitos de higiene pessoal. Na nossa visão, o brasileiro que já tinha historicamente bons hábitos de higiene, entendeu isso e segue praticando a higiene pessoal de forma ainda mais intensa", afirma João Carlos Basilio, presidente-executivo da ABIHPEC.

Outras categorias de produtos, também relacionadas aos hábitos de higiene que foram reforçados, como o banho, surpreenderam positivamente em performance, é o caso de produtos de cuidados com a pele tanto para o corpo como para o rosto. De janeiro a dezembro de 2020, o segmento de cuidados com a pele teve alta de 21,9% (vendas ex-factory), quando comparado com o mesmo período de 2019, sendo que nesse segmento, todos os produtos cresceram acima de dois dígitos.

Um reflexo do maior tempo das pessoas em casa foi o uso de produtos para o rosto, como as máscaras faciais de tratamento, que apresentaram 91% de crescimento e produtos de cuidados com o corpo, especialmente os de hidratação, assim como os esfoliantes corporais, que apresentaram alta de 153,2%.

"Acreditamos que o brasileiro vem se tornando cada vez mais interessado em produtos de cuidados com a pele. Essa já era uma tendência observada antes da pandemia e no ano de 2020, a busca por esses produtos aumentou, um sinal positivo para a ampliação do segmento, que ainda tem enorme potencial de desenvolvimento aqui no Brasil", aponta Basilio.

As datas promocionais também tiveram grande representatividade nos resultados. Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e a última sexta de novembro, apresentaram resultados melhores do que os esperados. No entanto, nas semanas que antecedem o Natal surpreendeu por seus resultados mais tímidos. De acordo com o Indicador de Atividade do Comércio-Natal, da Serasa Experian, as vendas no varejo físico registraram queda de 10,3% para a data.

O desempenho de Perfumaria surpreendeu os fabricantes, já que o segmento obteve um crescimento de 8,4% no ano de 2020 (janeiro a dezembro de 2020 - vendas ex-factory comparadas com o mesmo período do ano anterior).

Durante a pandemia, alguns obstáculos poderiam interferir na venda dos perfumes, uma vez que as lojas de perfumaria passaram muito tempo fechadas ou com restrições de funcionamento.

Resilientes, ainda que por necessidade de sobrevivência, as empresas se reinventaram e investiram em canais de vendas alternativos, provando que é possível atrair compradores mesmo à distância. As possibilidades de fazer compras pelo e-commerce, de trocar experiências nas redes sociais e de interagir com as marcas virtualmente, garantiram o acesso dos consumidores aos itens de perfumaria.

Outro ponto de destaque para o resultado de crescimento da categoria em vendas, foi o aumento do interesse do brasileiro pelos perfumes nacionais, não apenas por conta das restrições de viagens ao exterior em meio a pandemia, como também, em decorrência do aumento de preços para itens importados, consequência do aumento do dólar.

"Os brasileiros cada vez mais se surpreendem com as ofertas nacionais de perfumes que oferecem alta qualidade e vem recebendo investimentos constantes em inovação nos últimos anos. Certamente, a opção de compra de perfumes nacionais, reforçou as vendas da categoria em 2020", afirma João Carlos Basilio.


Tendências de autocuidado que se consolidaram em 2020


A intensificação dos hábitos de higiene pessoal também fez com que a frequência de banhos e consequentemente, de lavagem dos cabelos aumentasse. De acordo com o Painel de Dados de Mercado da ABIHPEC, de janeiro a dezembro de 2020 na comparação com 2019, xampus tiveram um crescimento de vendas (ex-factory) de 7,9%, condicionadores de 18,6% e produtos de tratamento capilar de 12,6%.

Muitos Institutos de pesquisa sinalizaram que o comportamento do consumidor mudou em relação ao banho, transformando esse momento em um pequeno ritual de reconexão consigo mesmo e escape mental dos fatores estressantes da rotina de pandemia. Novos hábitos que geraram consumo.


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